Este conteúdo é uma publicidade. Não é produzido pela redação da Folha de Paranavaí.
Pilares para um envelhecimento saudável: como a alimentação impacta nossa longevidade
Em novo artigo, o médico geriatra Dr. Adilson Silvestre aborda o descompasso entre o cérebro ancestral, o sedentarismo moderno e a importância dos nutrientes na prevenção de doenças.

Seu carro já estragou devido ao combustível ser ruim? Pois é, nosso organismo, máquina que é, também tem esse problema! Muitas das doenças crônicas que desenvolvemos vêm do que comemos. Provocamos nossas doenças. Há um descompasso entre nosso cérebro primitivo e as tecnologias de hoje em dia. Cada vez comemos mais calorias e gastamos menos com as comodidades. Também há um desequilíbrio de nutrientes nos nossos alimentos: comemos menos proteínas do que precisamos e mais carboidratos, o que gera uma pandemia de sobrepeso. Atualmente, 60% dos brasileiros estão acima do peso, fato que não existia há 50 anos.
Nosso cérebro é ancestral. Nossa espécie tem 300 mil anos e, por centenas de milênios, fomos seres inseridos na natureza, e nossa espécie passou muitos períodos lidando com a fome. Nosso cérebro, em defesa de nossa espécie, desenvolveu um sistema para estimular nossas escolhas alimentares: desenvolveu o sistema de recompensa, que consiste em um prazer instantâneo ao se alimentar de alimentos calóricos, ricos em açúcar (carboidratos) ou gorduras.
Ninguém saliva frente a um brócolis, mas, frente a uma costela assando ou a um pavê de chocolate, é salivação na certa. Esse estímulo foi criado em nossa espécie ao longo de milhões de gerações, porém não é mais cabível em uma sociedade que dominou a natureza e não passa mais fome, muito menos em uma sociedade que deixou o trabalho manual, aquele que exige esforço físico.
Nosso cérebro, em seu desenvolvimento, também sacou que não é apenas comendo comida calórica que armazenamos energia (gordura), mas também nos mexendo menos. Sim, a preguiça é natural do ser humano. O cérebro entende que gastar energia é ruim e nos dá uma sensação ruim, uma imposição para iniciarmos atividades físicas. Somos preguiçosos por natureza.
Cada vez comemos mais e nos mexemos menos. As grandes empresas sacaram isso. Por muito tempo, as maiores empresas do mundo foram as que vendiam alimentos extremamente calóricos: a Coca-Cola, a Nestlé e o McDonald’s. A conscientização da população vem entendendo que isso tudo faz mal, e essas empresas, ano a ano, vêm perdendo espaço para o mercado agora da preguiça.
Atualmente, 8 das 10 maiores empresas do mundo vendem preguiça, ou comodidade, o que eu não sou contra, mas é fato que hoje vivemos uma era mais cômoda, com toda certeza. Eu não digo que não podemos ir para esse lado, mas nosso corpo precisa de uma contrapartida: a prática de atividade física, mesmo que seja morosa para nossos instintos ancestrais.
Se você pegar as maiores empresas do mundo, elas nos vendem comodidades, tecnologias que fazem a gente se mexer cada vez menos e que, com um toque no celular, fazem chegar um alimento rico em calorias sem nenhum esforço. É claro que essa conta não fecha.
A regra da saúde é clara nesse contexto: mexa-se e faça sua comida!
Precisamos mudar a alimentação afetiva, o comer apenas o que nosso cérebro erradamente tem desejo, pela alimentação consciente, dando valor ao valor nutritivo dos alimentos que comemos. Fazer uma escolha dessas exige de nós maturidade e consciência. Também exige, obviamente, conhecer a comida, e vou tentar falar um pouco sobre os macronutrientes:
1) Carboidratos Talvez o maior vilão da obesidade. Hoje vivemos uma intoxicação populacional de carboidratos, principalmente os ruins, os carboidratos simples: a farinha branca, o açúcar e os industrializados, como doces, refrigerantes, salgadinhos, bolachas etc.
Esses carboidratos são muito rapidamente absorvidos, gerando picos de glicose na corrente sanguínea, o que nosso cérebro vibra de emoção! Hahaha! Esse pico de glicemia vem acompanhado de um pico de insulina e, por consequência, do acúmulo em forma de gordura.
Dê preferência aos carboidratos complexos, como raízes e leguminosas, como feijão, lentilha, ervilha etc. Esses carboidratos auxiliam na regulação da glicemia por serem lentamente absorvidos, geram saciedade prolongada, fazendo com que nós comamos com intervalos maiores entre as refeições.
2) Gorduras As gorduras são vilãs e mocinhas em vários aspectos. Começando pelas calorias, alimentos gordurosos são muito calóricos, mesmo gorduras boas. Fritar um alimento pode fazer com que ele carregue até 3 ou 4 vezes mais calorias do que o mesmo alimento apenas grelhado.
Temos outra questão importante: os tipos de gorduras. A gordura animal é a saturada, uma fonte de gordura saudável.
Gorduras boas são as insaturadas ou poli-insaturadas, que podem ser representadas pelas castanhas, peixes marítimos de água gelada e pelo abacate.
3) Proteínas No consultório, dificilmente eu atendo um paciente que tem noção de quanto de proteína ele precisa consumir. A nossa dieta, principalmente, é rica em carboidratos e, dificilmente, sem conhecimento, as pessoas batem nossa meta proteica diária.
Precisamos comer, em média, 1,2 g de proteína por quilograma do nosso peso ideal por dia. Uma pessoa de 70 quilogramas precisa comer cerca de 84 gramas de proteína por dia. Para se ter uma ideia, 1 ovo possui 6 gramas de proteína, e as melhores carnes têm 30% de proteína. É necessário fazer um cardápio dividindo essa necessidade de proteína ao longo do dia. Todo mundo deveria ter essas noções.
As vitaminas, diferentemente de algumas crenças populares, não nos dão energia, não possuem 1 kcal, mas são vitais para o funcionamento do nosso organismo, na construção sináptica, nas reações celulares, traduzindo-se em imunidade, estrutura orgânica e nossa neurofisiologia como um todo.
Não poderia deixar de falar no nosso intestino, hoje sabidamente conhecido como SEGUNDO CÉREBRO, nosso captador de nutrientes dos alimentos. Quando doente, não faz seu trabalho direito e, consequentemente, nos desnutrimos de alguma forma.
Eu poderia falar sobre prebióticos ou probióticos, mas, na verdade, vou falar sobre como cuidar de nossa flora bacteriana intestinal através do crudivorismo. Nossa flora bacteriana intestinal possui bactérias boas e ruins. A grosso modo, alimentos cozidos alimentam as bactérias ruins do intestino, ao passo que alimentos crus alimentam nossa flora bacteriana positiva.
Ou seja, comer frutas e verduras aduba e alimenta nossas bactérias amigas do intestino. Comer mais de 50% do alimento diário já é o suficiente para a saúde intestinal.
Em resumo, troque a farinha pelas frutas, coma proteína em todas as refeições, coma sementes, como castanhas e amêndoas, porém com moderação.
Simples e pequenas mudanças fazem toda a diferença.
Dr. Adilson Silvestre | Médico Geriatra (CRM 31.470-PR / RQE 31.963)
Atendimento: Paranavaí, Maringá e Telemedicina
Instagram: @instituto.longeviver