Greening avança no Noroeste do Paraná e coloca citricultura de Paranavaí em alerta
Doença considerada uma das maiores ameaças aos pomares de citros já provocou a erradicação de milhares de plantas em Paranavaí e exige mobilização de produtores e poder público

O avanço do greening vem colocando em alerta a produção de frutas cítricas no Noroeste do Paraná, especialmente em Paranavaí, município que integra uma das principais regiões produtoras de laranja do Estado. A doença, considerada uma das mais destrutivas da citricultura, não possui tratamento capaz de recuperar as plantas infectadas e exige medidas rigorosas de controle para impedir sua disseminação.
Em Paranavaí, o combate à doença já levou à retirada de milhares de plantas cítricas em áreas urbanas. Em janeiro de 2026, mais de 15 mil plantas haviam sido eliminadas em quintais do município. A ação contou com a participação de equipes das secretarias municipais, agentes de endemias e utilização de drones para auxiliar na identificação das plantas.
O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é provocado por bactérias do complexo Candidatus Liberibacter e transmitido principalmente pelo psilídeo-asiático dos citros (Diaphorina citri), um pequeno inseto que se alimenta da seiva das plantas.
Ao adquirir a bactéria de uma planta infectada, o inseto pode transmiti-la para outras plantas durante a alimentação.
A doença pode atingir laranjas, limões, tangerinas e outros citros. Entre os sinais estão o amarelecimento irregular das folhas, redução do desenvolvimento da planta e alterações nos frutos, que podem apresentar tamanho reduzido e maturação irregular. Quando os sintomas aparecem, a infecção já é considerada irreversível.
Paranavaí está no centro do cinturão citrícola
A preocupação na região ganha ainda mais importância porque o Norte e o Noroeste do Paraná concentram uma importante cadeia produtiva de laranja. O setor movimenta produtores rurais, trabalhadores, empresas de classificação e indústrias de processamento, com impacto direto na geração de emprego e renda de municípios como Paranavaí e cidades do entorno.
Por isso, o avanço do greening não representa apenas um problema fitossanitário. A doença também pode provocar impactos econômicos para produtores e para toda a cadeia ligada à produção e comercialização de frutas cítricas.
Em janeiro de 2025, Paranavaí iniciou uma operação para eliminar plantas cítricas e a murta dentro do perímetro urbano. A estratégia buscava reduzir a quantidade de plantas hospedeiras disponíveis para o psilídeo, dificultando a permanência e a disseminação do inseto transmissor da doença. A operação teve participação de equipes da Secretaria de Agricultura, Controle de Endemias, Secretaria de Saúde e Guarda Municipal, com apoio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
As plantas retiradas durante a operação foram trituradas e encaminhadas para descarte adequado. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento ao greening, que envolve fiscalização, monitoramento e eliminação de plantas hospedeiras.