Ele fala, mas ninguém entende: quando a fala da criança merece atenção?
Nem sempre “falar” significa conseguir se comunicar com clareza. Nesta coluna, compartilho informações para ajudar famílias a reconhecer sinais de atenção no desenvolvimento da fala e entender quando procurar apoio especializado.

Fonoaudióloga — CRFa 12925

Uma das frases que mais escuto dos pais no consultório é: “Ele fala bastante, mas a gente não entende quase nada.”
Muitas famílias acreditam que, porque a criança já fala algumas palavras ou frases, está tudo dentro do esperado. Porém, a clareza da fala também faz parte do desenvolvimento da comunicação e merece atenção.
Aprender a falar não envolve apenas juntar palavras. A criança precisa desenvolver habilidades como perceber os sons da língua, organizar os movimentos da boca e da língua, e produzir cada som de maneira adequada.
Durante o desenvolvimento, é comum que algumas trocas aconteçam. A criança está aprendendo e, aos poucos, sua fala vai ficando mais parecida com a fala do adulto. Porém, quando essas trocas permanecem por muito tempo, dificultam a compreensão ou causam frustração na comunicação, é importante investigar.
Alguns sinais que merecem atenção:
• A família entende a criança, mas pessoas de fora têm muita dificuldade para compreender;
• A criança evita falar porque sabe que não será entendida;
• Há muitas trocas de sons nas palavras;
• Ela omite sons ou partes das palavras com frequência;
• A fala interfere na interação com outras crianças ou no ambiente escolar.
A avaliação fonoaudiológica ajuda a entender o que está acontecendo: se a criança apresenta apenas uma fase do desenvolvimento ou se existe uma dificuldade que precisa de intervenção.
Quanto antes identificamos uma alteração na fala, maiores são as oportunidades de auxiliar a criança a se comunicar com mais segurança e autonomia.
A fala é uma das principais formas de interação com o mundo. Quando uma criança quer dizer algo, mas não consegue ser compreendida, ela pode perder oportunidades importantes de troca, aprendizagem e participação.
Por isso, a pergunta não deve ser apenas “Meu filho já fala?”, mas também: “As pessoas conseguem entender o que ele quer comunicar?”
Observar esses sinais e buscar orientação profissional é um passo importante para apoiar o desenvolvimento da criança.
Até a próxima edição do Conversa de Fono!
@fonoraquelgoulart - CRFa 12925
Artigo de opinião assinado. As opiniões expressas são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a posição da Folha de Paranavaí.